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#03

Depoimento do Voluntário

Ricardo

          Meu nome é Ricardo Mirabelli, entre abril e maio de 2016 virei voluntário da ONG A Gente Ajuda, todas as terças-feiras a ONG entrega em média 150 refeições, garrafas de água, frutas, bolachas, roupas e cobertores para moradores de situação de rua na região central, geralmente vamos na Kombi da ONG, 6 pessoas, e encontramos com alguns voluntários no local da distribuição.

          Um dia que estava voltando do trabalho, sempre fazia o trajeto a pé, decidi fazer outro caminho e frequentemente encontro com um morador de rua pela região, quase sempre falando sozinho, provavelmente na maior parte do tempo embriagado, todas as vezes ele está descalço. Naquele dia eu perguntei se ele precisava de um tênis, ele disse que não gostava, pois ele tem um problema no pé, e realmente estava bem inchado, e segundo ele, o tênis aperta o pé e o incomoda, perguntei se um chinelo resolve, ele disse que talvez. Falei para ele ir ao posto de saúde que tem na Rua Alexandre Dumas, e ele disse que é ruim para andar, o pé dói demais, e que a situação dele não favorece, por ser morador de rua o tratam mal. 

         Ele precisa de faixas para passar em volta do pé. Perguntei com o que ele já trabalhou, ele disse que vendia sorvete, quando perguntei sobre a família dele, ele pediu para gente manter o foco da conversa sobre trabalho, não gosta de falar sobre a família, segundo ele não quer dar trabalho e nem incomodar. E claro, pergunte o nome dele, é Adriano. Perguntei o que ele comia, ele disse que não come muito, somente o que dão a ele, e ele toma pinga para tapear a fome, e gosta de tomar refrigerante, ele estava com aquelas garrafinhas pequenas de refrigerante, uma com pinga e outra com refrigerante, comentei que ia levar um chinelo pra ele, mas ele disse que se não ficar bom na mesma hora ele devolve, falei que tudo bem, antes de ir embora eu o agradeci pela conversa, e perguntei, quantas pessoas param para conversar com você? Ele respondeu: Você foi o único! Eu o agradeci pela conversa, me despedi e ele também agradeceu. Na mesma semana levei o chinelo e as faixas para ele passar em volta do pé, ele agradeceu muito, mas infelizmente depois encontrei com ele, e disse que alguém pegou a sacola com as coisas dele.

         Sempre o vejo pela região da Chácara Santo Antônio, falando sozinho, descalço, roupas rasgadas, levando sua sacola, infelizmente sempre que o chamo pelo nome, ele responde xingando, ou pede dinheiro, e quando digo que não tenho, ele xinga novamente, mas eu não me importo.

         Uma coisa para pensarmos, por que ninguém conversa com morador de rua? Temos medo? Esperamos sempre o pior deles? Talvez, se não, por que nunca conversamos com eles? Às vezes eles só querem bater um papo. Com certeza trabalhar na ONG ajudou a desbloquear esse “medo”, pois não saímos distribuindo somente comida, nós conversamos com eles, falamos, ouvimos, e apesar de tudo, damos risadas e também nos emocionamos.

Por que fazer trabalho voluntário?

         Ser voluntário é acima de tudo um ato de amor, respeito, compaixão, justiça e solidariedade. Por isso a motivação para ajudar o outro deve ser verdadeira, pois quando se é voluntário, se assume um compromisso com o próximo, e deve ser honrado.


 

         Sabia que para ser um voluntário você não precisa, necessariamente, vincular-se a uma organização? O princípio da coisa é querer ajudar e, a partir disso, mesmo que sozinho, buscar formas efetivas para fazer sua parte. Você também pode começar seu próprio movimento e mobilizar, seus parentes e amigos, para juntos, ajudarem outras pessoas a terem maior qualidade de vida e oportunidades de terem um amanhã diferente.


 

         Ler para idosos ou crianças, ser professor de alfabetização ou reforço para crianças e adultos, doar roupas, livros, brinquedos a creches e escolas e para moradores de ruas, realizar arrecadação de alimentos para os mais necessitados. São alguns dos milhares de exemplos de trabalhos voluntários que podemos fazer.


 

         Esta corrente do bem ajuda que as pessoas voltem a ter sua cidadania e seus direitos respeitados e, com isso, possam resgatar a autoconfiança, alegria, automotivação e também seu amor-próprio. Assim, quanto mais ouvidas, amadas e respeitadas, mais os indivíduos, que recebem auxílio, se sentem empoderados a seguir em frente e conquistar seus sonhos.


 

         Do outro lado, quem é voluntário também cresce como ser humano, pois tem oportunidade de aprender algo novo, evoluir, exercer a cidadania, fazer o bem e compartilhar e se transformar em alguém ainda melhor. Com isso todos nós podemos inspirar muitas outras pessoas a fazerem o mesmo, alimentando assim, uma extraordinária corrente do bem. Faça parte deste ciclo, seja voluntário e ajude a fazer um mundo melhor!

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